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Os silêncios da adoção na Espanha

A finalidade do articulo é analisar por que, a mais de dez anos, quando foi iniciada a adoção transnacional na Espanha, os “silêncios” não permitiram falar sobre a tríade ‒famílias biológicas, adotivas, filhos e filhas e falar sobre a multimaternagem inerente a toda adoção, vulneram os direitos de quem foi adotado o adoptada. Para isso é sugerido um olhar sobre as formas de violência simbólica exercida sobre as mulheres, que retardam ou limitam sua maternidade e logo devem exercê-la através das técnicas de reprodução assistida a adoção transnacional. Uma violência que, através de um discurso hegemônico consolidado do silêncio, se exerce também sobre as mulheres que dão, ou as que lhe são retiradas, sua prole por serem consideradas “inadequadas” para a maternidade, assim como sobre os filhos e filhas de ambas.
por Diana MARRE. Revista de Antropología Social 2009, 18 97-126Barcelona (Espanha)   
Publicado em 02-13-2012Traduzir esta página Traduzir esta página   
A autora apresenta como dentro da tríada da adoção internacional foi silenciada a voz da família, (mãe) biológica, passando-se por alto não somente dos direitos das mães biológicas como também das crianças adotadas. Dentro do artigo usa-se o conceito de multimaternagem ou maternidade múltipla para fazer referência a todas as possíveis maternidades que atualmente podem apresentar-se, enfatizando a dificuldade social, “incomodidade”, para aceitar este feito. Estes estão relacionados com pressupostos sobre a maternidade, os mandatos sobre o corpo das mulheres, sobre os quais se edificam os processos de adoção.

A adoção se sustenta sobre imagens e pressupostos- intencionais ou não- que têm edificado a imagem de crianças órfãs que necessitam ser adotadas, isso então se converte em um ato de caridade ou de altruismo. Apresenta situações que tiveram que passar por altas discussões fundamentais como as desigualdades de distinto tipo -classes, gênero e etnia- inerentes a adoção, as dificuldades de combinar trabalho e criança e criação dos filhos, entre outras. E também os silêncios em relação a situações de origem das crianças, assim como procedimentos, práticas e sentidos tem dado lugar ao tráfico, extravio e práticas de apropriação.
Os silêncios da adoção na Espanha
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